sábado, 30 de janeiro de 2010

EU TAMBÉM PAGO IMPOSTOS... AFINAL SOU CIDADÃO BRASILEIRO

Desde que eu ingressei na Polícia Militar de Minas Gerais, (isso há 22 anos atrás) sempre escutei algumas pessoas estufarem o peito e dizerem pra gente: “Sou eu quem paga seu salário... eu pago meus impostos, blá, blá, blá...”

A época, talvez pela imaturidade, ou porque não tinha ainda consciência da amplitude e importância de minha profissão, muita das vezes ficava calado ante tais indagações. Me sentia como a “última pessoa depois de ninguém.”

Outrora, quando entrava em algum estabelecimento comercial para comprar algo, as vezes o atendente/balconista me olhava com desdém... julgava que eu queria algo de graça... me ignoravam. Tanto é que eu tinha vergonha até de fazer compras estando fardado... vejam só que absurdo!

Quantos “Superiores” (Hierárquicos, claro) me criticavam por que eu possuía curso superior e ainda era “Soldado PM”... as vezes escutava conversas do tipo: “Ihhh, ele é PM porque não serviu para ser mais nada... não tem estudo... é preguiçoso, não agüenta serviço pesado!”

O que mais me encafifava era quando eu me apresentava para algum “Superior” (Hierárquico, claro!) e ele sequer olhava para mim... simplesmente ignorava minha presença... não me cumprimentava com um jovial aperto de mão (como nas instruções era recomendado tratar o “público externo”)... isso doía demais...

Por quantas coisas passei nesses 22 anos: “Soldado não pode votar!”; “PM é superior ao tempo!”; “PM não pode usar guarda chuvas”; “PM não pode sorrir”; “Você é a imagem do cão”! “Tá detido até chover coca-cola”; “Não pondera, não!”; “Você explica mais não justifica!”; Você sabe com quem está falando?” e a pior delas: “VAMOS ESTUDAR PRÁ NÃO SERMOS MILITAR!”

Pois é... O tempo foi passando... Tantas coisas aconteceram. Que bom ainda estar na ativa e ver o quanto minha estimada PMMG (Polícia Militar de Minas Gerais) evoluiu! São tantas coisas que aprimoramos que sequer consigo enumerá-las, mas algumas faço questão de comentá-las:

- Descobri que sou CIDADÃO! Que também PAGO MEUS IMPOSTOS (Não tenho nenhuma isenção de imposto, portanto, também contribuo com meus SALÁRIOS e dos demais entes públicos, que espero e cobro um atendimento digno, de qualidade, como nos é cobrado no campo prestação dos serviços de Segurança Pública).

- Quando eu entro nalgum estabelecimento comercial, NÃO ESTOU MENDICANDO NADA... NÃO QUERO CAFÉZINHO/LANCHE/ALIMENTAÇÃO DE GRAÇA. Ganho o suficientemente bem para pagar meu consumo... Sou um cidadão e quero (exijo) um atendimento digno.

- Quanto a indagação do “Você sabe com quem está falando?”, pois bem, não sei, se Vossa Senhoria puder se identificar ficarei grato! Quanto a minha pessoa, sei bem quem sou eu, qual a minha missão/objetivo e o que me compete ou não... Ahhh, um lembrete! Não me intimido mais com ameaças/”chaves” de influência, afinal de contas, já que estamos numa democracia, respeito seus direitos, mas exijo que respeite a minha dignidade enquanto pessoa e servidor público (para servir a coletividade).

- Para finalizar, “Vamos estudar pra não sermos militar!”, creio que o correto seria “Militares”, mas de qualquer forma, minha instituição/empresa/organização investiu (e investe) demasiadamente em nossas formações/capacitações (seriamente) e tenho absoluta certeza que aqui não ficamos devendo em nada a outras instituições formadoras de cidadãos conscientes... a prova disso é esse PM... Devidamente capacitado para te SERVIR & PROTEGER com efetividade.

Eu estou procurando fazer minha parte com tamanha dedicação, empenho e responsabilidade... espero que você cumpra seu papel a contento na função que exerce. Afinal somos todos, CIDADÃOS brasileiros!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ANISTIA - MILITAR REFORMADO REPUDIA REVANCHISMO

(Olavo Nogueira Dell'Isola - Belo Horizonte)
“Eles afirmam que não assaltaram, não sequestraram, não assassinaram, nem falsificaram suas próprias identidades. Para o ‘bem do Brasil’, afirmam, queriam apenas derrubar os ‘ditadores’, os corretos e bem-intencionados Castello Branco, Artur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo. Mas, ao mesmo tempo, apoiavam Fidel Castro e o admiravam.

Não revelam quais foram mandados, nem por que foram a Cuba para fazer ‘curso de guerrilha’ para aprender a matar e o que pretendiam com a ocupação de uma área na região do Araguaia.

Combatidos corretamente pelos militares, que apenas cumpriam o seu dever, e vencidos, foram presos, ou fugiram, se autoexilaram ou se esconderam. Alguns, infelizmente, foram abatidos. Veio a anistia, ainda no governo de um general, para eles, ‘ditador’, e todos foram perdoados, sem restrições.

Muitos, hoje, recebem gordas indenizações, não pagas nem aos familiares dos pracinhas civis convocados e mortos nos campos de batalha durante a 2ª Guerra Mundial.

Alguns ocupam elevados postos do governo federal. Mas o ódio que eles mantêm aos militares, que, cumprindo com seu dever, os combateram, não cessa.

Expressões maliciosas e pejorativas, como ‘anos de chumbo’, ‘porões da ditadura’, ‘preso e torturado pela ditadura’, persistem, sendo passadas para as gerações subsequentes. Insistem em abrir os ‘arquivos da ditadura’, que estiveram sempre à disposição.

Agora atingem o máximo de seus atos de vingança e de revanchismo: criaram uma Comissão de Verdade e Justiça para revogar a Lei de Anistia e elaborar uma nova legislação, que tem, como único objetivo, castigar militares que, no cumprimento do dever, os combateram e os venceram, por supostas violações de direitos humanos.

Generais corretos e bem-intencionados terão seus nomes achincalhados e retirados de logradouros públicos.

Do outro lado, aqueles por eles combatidos e vencidos, que, por livre e espontânea vontade, pegaram em armas, violaram leis vigentes e, comprovadamente, assassinaram, torturaram, sequestraram e assaltaram, certamente, não serão, sequer, mencionados e continuarão recebendo vultosas indenizações e ocupando, sem quaisquer restrições, elevados postos do governo federal.

Diante de tamanha injustiça, Caxias, ‘O pacificador’, o grande herói nacional, deve estar pesaroso de não poder mais montar em seu cavalo e bradar: ‘-Sigam-me os que forem brasileiros’.”

Fonte: Jornal Estado de Minas, de 04/01/2.010

BENEFÍCIOS - TARSO GENRO DÁ ANISTIA A VEREADORES DA DITADURA

BRASÍLIA. O ministro da Justiça, Tarso Genro, assinou 3.344 declarações de anistia para ex-vereadores que trabalhavam em municípios com menos de 300 mil habitantes no período da ditadura militar - e nos quais não se podia pagar salários a vereadores, por determinação de atos institucionais.

Com isso, subiu para 20.851 o total de pessoas que receberam esse benefício de 2004 para cá. A norma autoriza os ex-vereadores ou seus familiares a somar na contagem do tempo de serviço, para a aposentadoria, os anos em que ficaram sem receber salário.

As anistias autorizadas por Tarso Genro deverá gerar uma despesa estimada inicialmente em R$ 3 bilhões aos cofres públicos.

Trata-se de uma anistia de caráter político, dentro da perspectiva do governo federal de acerto de contas com a ditadura. O curioso é que a grande maioria dos beneficiados não sofreu qualquer tipo de perseguição. Na verdade, a maioria deles estava do lado da ditadura - na Arena, partido de sustentação do regime militar.

Segundo o secretário da presidência da Comissão de Anistia do governo federal, Marcelo Torelly, que analisa os pedidos de anistia, essa é uma "questão de justiça". Já o presidente da Federação das Associações dos Aposentados e Pensionistas, Alcides Ribeiro, afirmou que essa medida do governo "vai sangrar ainda mais os cofres do sistema nacional de Previdência".

Fonte: Jornal o Tempo, de 04/01/2.010